sábado, 23 de julho de 2011

Planalto Sul Catarinense - Parte 05 (Final)

Chegando a Cambará do Sul, fomos para o nosso destino mais esperado, O Parque Nacional da Serra Geral. Situa-se na divisa dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e foi criado pelo Decreto n° 531 de 20.05.1992. Possui uma área de 17.300 ha. Ocupa territórios nos municípios de Jacinto Machado e Praia Grande (SC), e Cambará do Sul (RS).

Formado a partir de intensas atividades vulcânicas havidas há milhões de anos, sucessivos derrames de lava vieram originar o Planalto Sulbrasileiro, coberto por campos limpos, matas de araucárias e inúmeras nascentes de rios cristalinos. Em alguns pontos, decorrentes de desmoronamentos, falhas naturais da rocha e processos de erosão, encontram-se grandiosos desfiladeiros, dentre os quais o mais conhecido é o Fortaleza.
Cânion Fortaleza

Suas escarpadas e verticais encostas de basalto apresentam uma coloração de tons amarelados resultantes dos liquens e da vegetação de ervas e pequenos arbustos que alternam-se com a rocha nua. Já na borda dos cânions, encontra-se a mata nebular de altitude, crescendo sobre solo úmido e turfoso, recebendo esse nome por se encontrar em local onde é freqüente a formação de nevoeiros denominados de "viração", que se elevam da região da planície costeira, criando condições de alta umidade.

Formação do Nevoeiro no Cânion
A fauna silvestre local é rica e constituída por espécies raras no Brasil, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a suçuarana ou leão-baio (Felis concolor), o graxaim-do-mato e o veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus) (possivelmente o dono da pegada que encontramos durante a caminha noturna, na foto abaixo), além de raposas, gambás, tatus e bugios. 
Pegada - Possivelmente de um Veado Campeiro

Dentre as aves encontramos a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), o papagaio-charão, periquitos, perdizes, codornas e marrecas, além do típico quero-quero (Vanellus chilensis), ave-símbolo do pampa gaúcho. O gavião-pato (Spizaetus tirannus) e a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) podem ser eventualmente avistados em áreas de difícil acesso e se encontram ameaçados de extinção. Encontram-se também ofídios peçonhentos.

Enfrentamos aqui as temperaturas mais frias da nossa expedição, com 5 graus Celsius positivo, calor, se comparado aos dias que se sucederam a nossa visita, mas já deu para sentir o drama que é o frio.

Na volta para casa, uma parada no Caminho no Parque Nacional do Aparados da Serra, no Cânion Itaimbezinho, o único dos parques que visitamos com uma estrutura voltada para a visitação e turismo. A unidade foi criada em pelo decreto n.º 47.446 de 17.12. 1959 e alterada pelo decreto n.º 70.296 de 17.03.1972 e possui uma área de 10250 ha e perímetro de 63 km, sendo fronteira ao Parque Nacional da Serra Geral. 
Itaimbezinho é um nome de origem Tupi-Guarani, "ita" significa pedra e "Ai'be" afiada. Está localizado entre Cambará do Sul e Praia Grande. Sua formação rochosa existe a pelo menos 130 milhões de anos e é um dos maiores do Brasil, sua extensão atinge 5.800 metros e uma largura que varia entre 200 e 600 metros. Sua profundidade máxima é de 720m. As paredes de cor amarelada e avermelhada são cobertas, de ponto em ponto, por vegetação baixa. Ao redor do cânion os pinheiros nativos completam a paisagem.
O Rio Perdizes desce as paredes rochosas para formar a cascata "Véu de Noiva" de uma beleza sem igual, esta cai de uma altura de 700 metros, produzindo uma bruma antes de atingir o fundo do cânion. No azulado do cânion, como gigantesca serpente, o Rio Boi se move preguiçosamente entre as pedras, formando uma série de caprichosas cachoeiras, que deslizam para o vizinho Estado de Santa Catarina.
Cachoeira Véu de Noiva - Cânion Itaimbezinho.
E com essa imagem terminamos a série de posts tratando de locais do Sul do Brasil que merecem ser visitados pela sua beleza natural... até a próxima!!!

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